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HISTÓRIA DE ITACOATIARA

"A Expansão do mercantilismo europeu transformou a Amazônia num palco de batalhas, onde os principais protagonistas eram estrangeiros que disputavam a posse do território e as riquezas nele contidas. Colonos de diferentes nacionalidades, armados, se instalavam na área, realizando um intenso comércio e a exploração da força de trabalho indígena". (A Amazônia Colonial 1616-1798,27, Manaus/AM -1991)

Depois que foram definidas várias regiões da Amazônia à diversas ordens religiosas, os missionários iniciaram a sua obra catequética. Nessa árdua tarefa coube aos jesuítas a região do rio Madeira. Em 1655, foi criada pelo Padre Antônio Vieira a Missão dos Aroaquis, na ilha do Aibi, acima de Itacoatiara.

Alguns historiadores afirmam que: Itacoatiara nasceu de uma "Missão Religiosa", que foi fundada no século XVII (1696), pelo jesuíta Frei João da Silva, na foz do rio Mataurá, que faz confluência com o rio Madeira.

Embora, outros historiadores falem que o 1º núcleo de povoamento organizado em território hoje compreendido pelo município de Itacoatiara, foi em 1638.

Em Mataurá, a Missão foi por diversas vezes atacada pêlos nativos Mura. Os Mura amavam a liberdade e temiam serem aprisionados e escravisados, e por isso, atacavam, e quando possível destruíam qualquer aldeia levantada pêlos brancos.

Os ataques constantes dos Mura levou a Missão do Mataurá a se mudar para a margem direita do Canumã, rio que desagua no furo Tupinambarana.

Os jesuítas estavam instalando a Missão no rio Canumã e os Mura voltaram a atacar. A Missão foi obrigada a abandonar o local e se estabelecer num sítio, na margem direita do rio Abacaxis que desagua no furo do Tupinambarana que também faz confluência com o rio Madeira. O referido sítio tinha sido fundado pelo tuxaua de nome Abacaxis, da tribo Mundurucu por volta de 1696, o lugar ficou também conhecido pelo nome de Abacaxis.

A Missão de Abacaxis recebeu como administrador o jesuíta Frei João Sampaio, teve ligeiro progresso tornando-se um pequeno povoado, em 1716, o capitão mor do Pará, João de Barros Guerra abatia e subjugava a nação dos nativos Tora, no rio Madeira. Os nativos Tora que escaparam do massacre, foram recebidos no povoado. Os Mura estavam decididos a não permitir que os brancos se instalassem definitiva-mente em suas terras e voltaram a atacar a Missão.

Os jesuítas estavam também, decididos a permanecer na região e mudaram-se mais uma vez, se estabelecendo à margem direita do rio Madeira abaixo do furo de Tupimanbarana. A Missão foi instalada em uma estreita faixa de terra situada entre o rio e o lago, e estava sujeita a alagações, o clima não era agradável havendo muitas doenças e constantes mortes.

Diante dessa situação, os habitantes da aldeia de Abacaxis já planejavam uma nova mudança, eles queriam ir para um lugar mais ao centro da floresta, em terra firme.

Em 1758, quando a Missão de Abacaxis decidia sair do lugar onde estava localizada, chega à aldeia o capitão - general Francisco Xavier de Mendonça Furtado, governador do Grão Pará e Maranhão. O Amazonas naquela época pertencia ao território do Pará. Mendonça Furtado veio com a intenção de elevar a aldeia de Abacaxis à condição de vila, entretanto, os moradores, solicitaram-lhe permissão para saírem da localidade, pois não suportavam mais, as doenças, mortes constantes e a violência praticada pêlos missionários administradores da aldeia.

O capitão-general, sensibilizado com a situação dos habitantes da Missão, ofereceu a eles três diferentes lugares irem. O escolhido foi o sítio Itacoatiara situado a margem esquerda do Rio Amazonas. O governador Mendonça Furtado, reconheceu ter sido uma escolha sábia através de uma carta enviada ao ministro de Ultramar de Portugal.

"Na verdade escolheram bem, porque as terras são as melhores que aí há, pois produzem todo o gênero de frutas, e o rio naquele sitio é abundantíssimo e sobre tudo está na estrada real destes sertões, e com esta vila acharão os passageiros socorro, e os índios não só tirarão grande lucro dos seus trabalhos na venda dos mantimentos, mas civilizar-se-ão". M. Furtado

A aldeia do Abacaxis foi transferida para o sítio Itacoatiara, no mesmo ano de 1758, considerado um dos mais belos lugares da região, à margem do "Rei dos Rios". Pois ganharam o rio Amazonas como meio de comunicação (estrada real) com os povoados do rio Madeira, Solimões, Negro e outros.

Com a chegada dos nativos que eram arrebatados de suas aldeias, com a finalidade de serem civilizados (catequizados) o povoado começou a crescer. As primeiras famílias nativas que habitaram o povoado de Itacoatiara pertenciam as tribos dos Abacaxis, Anicorés, Cumaxiás, Júris, Juquís, Aponariás, Barés, Jumas, Pariquis, Toras.

O povoado antes de completar um ano de estabelecido no sítio Itacoatiara, foi elevado à categoria de vila, em 1º de janeiro de 1759, com o nome de Vila de Serpa.

O nome de Serpa veio em cumprimento do Alvará de 14 de setembro de 1758 que ordenava aos governantes que trocassem "as denominações indígenas das aldeias por nomes de vilas da terra luzitana".

A Vila de Serpa foi a terceira a ser instalada no Amazonas. A primeira foi Borba e a segunda Barcelos.

No inicio do século XIX a Vila de Serpa tinha supremacia sobre as demais vilas, inclusive sobre o Lugar da Barra (que a partir de 1808, passou definitivamente a ser a capitania de São José do Rio Negro. Hoje Manaus). Mesmo o Lugar da Barra recebendo o titulo de capital, não ganhou a categoria de vila, não possuindo Câmara, ficando o seu distrito dependente da Vila de Serpa. Assim sendo, os seus moradores enfrentando grandes dificuldades vinham sempre que necessário à Vila de Serpa solicitar permissão para abrir as suas casas comerciais, pescar, colher as drogas do sertão e os frutos.

Quando existia um ato mais importante para ser solenizado e aprovado a Câmara Municipal de Serpa reunia-se no lugar da Barra. A Câmara tinha ali um representante, o Juiz de Julgado, eleito anualmente.

Em 1833, Serpa perdia o Foral de Vila e era rebaixada à condição de Freguesia ou Colégio Eleitoral subordinado a Silves, isto porque, o governo do Pará dando execução ao Código do Processo Criminal, transformou o território amazonense em Comarca do Alto Amazonas, composta de quatro vilas: o lugar da Barra (Manaus), Ega (Tefé), Mauése Mariuá (Barcelos).

Em 1835, na Província do Pará irrompia o movimento revolucionário denominado Cabanagem, o Amazonas foi duramente atingido e Serpa lutou ao lado dos legalistas. Os cabanos tentaram por várias vezes dominar Serpa que numa demonstração de coragem era recuperada graças aos esforços de seus habitantes.

Em 1852, houve uma tentativa para elevar a Freguesia à vila, com o nome de Serpa, o que não se realizou. Somente após decorrer largo tempo, reivindicou o velho predicamento por lei nº 74 de 10 de dezembro de 1857, sendo reinstalada por Salustiano de Oliveira, presidente da Câmara Municipal de Silves, em 24 de junho de 1858, quando já havia completado um século da primeira instalação. Outra vez erigida à vila, recebeu o nome de Vila de Nossa Senhora do Rosário de Serpa.

O termo judiciário de Serpa, foi criado por Decreto Imperial nº 5.146, de 27 de novembro de 1871, ficando, entretanto, reunido ao de Silves pelo decreto nº 5.210, de 1º de fevereiro de 1872. Nesse ano em sessão de 3 de abril,o deputado Delfim Flávio Portugal, apresentou à Assembléia Legislativa um projeto criando a Câmara de Itacoatiara e pretendendo restabelecer o seu primeiro nome; mas o deputado Padre Pedro Marques de Oliveira, fez cair o projeto, na parte referente ao nome Itacoatiara. A Vila de Serpa foi elevada à categoria de cidade com o nome de Itacoatiara, por projeto do deputado Damaso de Souza Barriga, convertido em Lei nº 283 de 25 de abril de 1874. Depois de Manaus e Tefé, foi a primeira cidade do Amazonas a ter essa categoria.

Itacoatiara se impunha como cidade pelo desenvolvimento que tomava e por isso foi criada a sua comarca pela Lei nº 341 de 25 de abril de 1876, sendo instalada pelo Juiz de Direito, Dr. Felipe Honorato da Cunha Meninéa, em setembro do mesmo ano.

Na divisão administrativa referente ao ano 1911, o município de Itacoatiara, figura com onze distritos: Pirapitinga; Amatari; Curarizinho; Apipica; lauanaçu; Caapiranga; Castelo; Lago do Soares; Ambrósio Aires e Murutinga.

Em 1930, por força do ato Estadual nº 45, de 28 de dezembro, o município de Urucará foi anexado ao de Itacoatiara. Em 1931, o mesmo aconteceu ao de Urucurituba, em virtude do Ato Estadual nº 33 de 14 de setembro.

Em 1932, na rebelião eclodida no estado de São Paulo e que com adesão da Fortaleza de Óbidos - PA, Itacoatiara marcou a sua participação através da "Batalha Naval" ocorrida no trecho do rio em frente a cidade, entre os navios "Jaguaribe" e "Andirá" dos rebeldes vindos de Óbidos e o "Ingá" e "Baependi" dos legalistas vindos de Manaus. O "Jaguaribe" e o "Andirá" soçobraram nas águas do rio Amazonas, em 24 de agosto do mesmo ano.

O litoral da cidade foi guarnecido, trincheiras foram construídas nos pontos estratégicos e colocada gente disposta à luta. O vigário da paróquia Padre Joaquim Pereira, o comerciante António de Araújo Costa e o Prefeito municipal Major Gonzaga Pinheiro, foram abordo do navio capitanea dos revoltosos, onde colocaram nobremente que a cidade não se renderia.

Na divisão administrativa de 1933, o município de Itacoatiara ficou com um só distrito, o de sede. Em 1935, Urucará e Urucurituba retornaram à antiga condição de município que haviam perdido, em 1930 e 1931, quando foram anexados a Itacoatiara.

Pelo Decreto-Lei Estadual nº 176 de 12 de dezembro de 1938, a comarca de Itacoatiara, perdeu os termos de Itapiranga (ex-Silves) e Urucurituba, transformados em comarcas.

Em 1955, em virtude da Lei nº 96, de 19 de dezembro do mesmo ano, o município de Itacoatiara perdeu os distritos de Ambrósio Aires e Murutinga para o novo município de Autazes e parte do subdistrito de Curupira para o, também, novo município de Nova Olinda do Norte, (Município de Itacoatiara - Estado do Amazonas, Anísio Jobim).

O nome de Itacoatiara é um vocábulo procedente do Tupi ou nheêngatu; é puramente indígena, segundo Octaviano Mello, grande estudioso da língua geral e autor do Dicionário Tupi-Português Português-Tupi e da gramática "Nheengatu Umbueçaraíma" (nheengatu sem mestre). Várias têm sido as suas traduções. Algumas inaceitáveis, outras bem aproximadas da sua significação. Dentre as traduções, citamos:" Lugar da pedra pintada" e "Pedra pintada ou listrada".

Para estas deduções seria necessário que o termo aparecesse com as grafias seguintes: Itapinimarendáua - lugar da pedra pintada; Itapinima - pedra pintada; e quanto à "pedra listrada", não existe na língua nheengatu.

"Pedra gravada", "pedra esculpida", "pedra escrita", são as traduções que concordam com a palavra Itacoatiara: Itá - pedra; coatiare - gravada, esculpida, escrito. Esta versão tem sua razão de ser, porque nas pedras milenares do sítio Itacoatiara, os desenhos e escritos são gravados em baixo-relêvo.(Topónimos Amazonenses, Octaviano Mello).

Registra-se ainda, a existência da Necrópole Indígena do Miracanguera, situada à margem do rio Amazonas, pouco acima da cidade de Itacoatiara.

O escritor Anísio Jobim cita, no seu livro "Município de Itacoatiara - Estado do Amazonas", o sábio J. Barbosa Rodrigues como autor do estudo sobre a Necrópole, sob o título de "Antiguidade do Amazonas".

A necrópole indígena que o famoso etnógrafo consagra em tantas páginas de vivo fulgor e erudição, fica acima da cidade de Itacoatiara, em terrenos elevados, que o rio Amazonas, na violência de suas correntezas, vai todos os anos escavando e provocando grandes desmoronamentos, deixando à mostra suntuoso e admirável tesouro que se esconde sob suas terras. A lombada de terra estende-se até o atual povoado Amatari ou Matari, onde toma o relevo de terra firme. O espaço que ocupava tinha mais de meio quilómetro e para o interior se estendia a grande distancia, na ilha do Matapí hoje costa do Miracanguera e deve ter sido fundado pelo povo Aroaqui que se espalhou até as Antilhas.

Na maneira de ver de Barbosa Rodrigues, o cemitério começou em era anti-Colombiana e durou até o século XVII. Os desprendimentos dos barrancos deixavam a mostra admirável tesouro arqueológico, como: vasos; taças; amuletos; panelas; machados de pedra; igaçabas. Barbosa Rodrigues afirma, no meio de fragmentos e peças inteiras foram encontradas três espécies de iucaçauas ou urnas mortuárias, todas de diversos tamanhos, indicando a estrutura e a idade do indivíduo nela sepultado, o que se verificava pelo cumprimento dos ossos. A necrópole do Miracanguera, reflete os vestígios da raça extinta dos Aroaquis, e da civilização que ela trouxe, e não à obra de uma civilização estrangeira pré-histórica.

Examinando a civilização do povo do Miracanguera, Barbosa Rodrigues, diz que estão a comprovar o seu grande desenvolvimento, o modo como a argila era por ele escolhida, preparada e cozida, e a excelente preparação das tintas, que empregava na pintura de seus vasos, as formas corretas e elegantes, as gravuras e baixos relevos que ele empregava e a harmonia e inteligente disposição das linhas de seus desenhos. A cerâmica que mais atestava o grau de desenvolvimento dos tempos remotos do Brasil, era a dos aterros do Marajó, a qual fica muito aquém da necrópole do Miracanguera, tal a finura e o gosto das ânforas, taças, urnas e mais objetos.

O trabalho de fabricação da louça era deixado à paciência e habilidade das mulheres, que se utilizavam do barro puro, ou em combinação com outros ingredientes tais como o pó de caraipé, pós de pedras-pomes trazidas pelas águas do rio, do casco da tartaruga. A tabatinga era cuidadosamente amassada, preparada e moldada a peça era levada ao fogo. As tintas, os nativos iam buscálas na floresta e na tabatinga dos barrancos, era a argila, o urucu, o carajuru, a coca e tantos outros recursos tintórios. Para darem o polimento a essas maravilhosas produções utilizavam-se de leite de sorva. Que delicadeza não exigia esses lindos vasos! Que cuidados não pediam as igaçabas, as tangas, os púcaros! Que perfeição nas cores variadas com que pintavam essas cerâmicas! A decoração encantava pelo aspecto, pelas linhas e pelo colorido. (Município de Itacoatiara - Estado do Amazonas, Anísio Jobim)

Itacoatiara foi o primeiro município do interior do Estado que teve o seu jornal, "O Itacoatiara", que durou pouco. Em seguida surgiram outros jornais, como: "A voz do Madeira"; "Conservador"; "O Arauto"; "O Correio de Serpa"; "O Jornal do Comércio"; "A voz do Município"; "Pedra Pintada" e atualmente o "Jornal Itacoatiara".

Como atração turística, Itacoatiara apresenta, além do majestoso rio Amazonas, o rio Madeira, o rio Urubu, o rio Preto, o rio Abacaxis; os lagos Arari, Canaçari, Piquiá, Serpa, Muritúba, onde é realizada a pesca do tucunaré e carauaçu; os paranás, furos e igarapés e as cachoeiras de Lindóia e Iracema. As vitórias-régias dão especial colorido aos pontos turísticos do município e também, as ilhas de Serpa, Trindade e do Risco com sua belíssima praia.